🗞️ Fonte: Youth Endowment Fund
Uma pesquisa conduzida pela organização britânica Youth Endowment Fund (YEF) — que analisou respostas de quase **11 mil adolescentes de 13 a 17 anos na Inglaterra e no País de Gales — revelou que um em cada quatro jovens recorreu a chatbots de inteligência artificial como suporte emocional e psicológico nos últimos 12 meses.
Segundo o estudo, mais da metade desses adolescentes já usou algum tipo de apoio online relacionado à saúde mental, e 25% especificamente consultaram chatbots alimentados por IA quando estavam lidando com questões emocionais ou psicológicas. Para muitos, a facilidade de acesso, a sensação de anonimato e a disponibilidade 24 horas por dia tornam essas ferramentas mais atraentes do que os serviços presenciais tradicionais.
A pesquisa também mostrou que adolescentes que vivenciaram violência séria — seja como vítimas ou como autores — têm ainda mais probabilidade de buscar ajuda por meio de chatbots do que seus pares que não passaram por experiências traumáticas.
Especialistas consultados pelo estudo afirmam que a tendência reflete tanto a maior demanda por apoio psicológico entre os jovens quanto as falhas no sistema de atendimento tradicional, que em muitos casos tem longas listas de espera e dificuldade de acesso para adolescentes. Apesar disso, psicólogos e líderes de instituições enfatizam que a tecnologia não substitui os cuidados profissionais: “Os jovens precisam de um humano, não de um robô quando se trata de problemas emocionais graves”, disse Jon Yates, CEO do YEF.
Os dados também apontam que mais de um quarto dos entrevistados apresenta sintomas associados a elevados níveis de dificuldades de saúde mental, e uma proporção significativa relata ter sido diagnóstica ou acreditar que pode ter uma condição de saúde mental — reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes de apoio aos jovens.
Por que isso importa?
Esse comportamento reflete uma mudança cultural e tecnológica no modo como adolescentes lidam com a própria saúde emocional. Enquanto a tecnologia se torna uma companhia constante na vida dos jovens, os riscos de depender exclusivamente de inteligência artificial para apoio psicológico — especialmente em situações de crise — também chamam atenção de especialistas. Chatbots podem dar conselhos genéricos ou respostas empáticas superficiais, mas não possuem a capacidade humana de percepção, empatia clínica nem intervenção em situações de risco real.
Apesar das vantagens percebidas — como anonimato e disponibilidade — organizações de saúde mental aconselham que esses recursos sejam vistos apenas como complementos temporários, e não substitutos de terapia tradicional ou serviços profissionais qualificados.
