Especialista desvenda mitos e verdades e ensina como consumir com equilíbrio

Com a chegada da Páscoa, o chocolate torna-se um desejo quase universal. Mas o que faz dele um alimento tão irresistível? A resposta vai além do sabor e envolve uma complexa reação no cérebro, que mistura ciência, emoção e até história.  

Enquanto o Brasil produz mais de 800 mil toneladas anuais para atender à demanda, surgem dúvidas recorrentes: o alimento é um vilão para a saúde ou um aliado do bem-estar? 

Para desvendar mitos e verdades, a nutricionista Flavia Arruda, da Santa Casa de São Roque explica como é possível aproveitar a data sem culpa. “O segredo está menos na proibição e mais no entendimento. Quando conhecemos como ele age no corpo, fica mais fácil consumir de forma equilibrada”, adianta. 

 Confira, a seguir, algumas curiosidades científicas e históricas sobre o item mais desejado da Páscoa: 

  1. Chocolate e o cérebro: uma conexão que vai além do sabor

A sensação de felicidade ao comer chocolate não é apenas psicológica. Ele ativa áreas cerebrais ligadas ao prazer e à recompensa, estimulando a liberação de neurotransmissores, como serotonina, endorfina e dopamina. “Ele pode trazer uma sensação de conforto, mas não deve ser visto como a solução para questões emocionais complexas”, pontua a especialista.       

  1. Nem todos são iguais

A escolha faz toda a diferença. Opções com maior teor de cacau concentram mais compostos bioativos e menos açúcar. Já as versões ao leite e branco costumam ter maior quantidade de gordura e açúcares adicionados.       

  1. Fonte de antioxidantes

O cacau é rico em flavonoides, substâncias que ajudam a combater os radicais livres no organismo. Esses compostos estão associados à proteção cardiovascular e à melhora da circulação sanguínea. “A quantidade da fruta impacta diretamente nos benefícios. Quanto mais amargo, maior a presença de antioxidantes”, afirma a nutricionista. 

4O consumo excessivo traz consequências      

Em curto prazo, o alto teor de gordura e açúcar pode causar enjoos, diarreia e dor abdominal. A longo prazo, o excesso está associado ao ganho de peso, aumento da glicemia, alterações no colesterol e até crises de enxaqueca. 

5. Equilibrar é possível 

Pequenas porções na rotina podem ser mais saudáveis do que alternar entre restrição severa e exagero, um padrão comum na Páscoa. “Quando consumido com moderação, o doce pode, sim, fazer parte de uma alimentação equilibrada”, explica a nutricionista. 

6. O chocolate nem sempre foi doce 

Antes de se popularizar como sobremesa, o cacau era consumido por civilizações antigas como uma bebida amarga e ritualística. Foi somente com a adição de açúcar, séculos depois, que o produto ganhou o perfil que tem hoje. 

7. Chocolate branco não é, tecnicamente, chocolate 

Apesar de ser classificado como chocolate pela Anvisa, por conter manteiga de cacau, a versão branca não possui a massa da fruta, que é onde se concentram os compostos benéficos. “Por ter uma base de gordura, pode apresentar maior valor calórico. A melhor forma de entender o que você está consumindo é sempre analisar a lista de ingredientes no rótulo”. 

8. Já foi usado como moeda e símbolo de status 

O cacau já foi tão valioso que serviu como moeda para civilizações pré-colombianas. Com o tempo, manteve seu lugar como símbolo de prestígio, recompensa e afeto. Isso ajuda a explicar por que, especialmente na Páscoa, o ato de comer ou presentear com chocolate está muito mais ligado à emoção e à memória afetiva do que ao consumo. 

No fim das contas, o chocolate não precisa ser visto como vilão. Para a especialista, o mais importante são as escolhas conscientes: “Com moderação, é possível aproveitar a data sem prejuízos e até com benefícios para o bem-estar”, conclui.