Em Brasília, entregadores por aplicativo enfrentam uma rotina arriscada, impulsionada pela pressão dos algoritmos. Profissionais como Vanusa da Silva, de 29 anos, relatam que, para cumprir horários apertados, precisam desrespeitar frequentemente as leis de trânsito. Com 40% das mortes no trânsito da capital envolvendo motociclistas, a situação se torna alarmante.
A alta sinistralidade é preocupante: dos 94 acidentes fatais registrados até junho, 37 foram com motociclistas. Especialistas em segurança viária apontam que a precarização do trabalho intensifica a vulnerabilidade desses trabalhadores. Ao ser questionada sobre o risco, Vanusa destaca que a motocicleta é sua fonte de renda, mas a perigo constante faz dela um emprego temporário.
Dados do Departamento de Trânsito do DF revelam que aproximadamente 1,7 mil motociclistas estão registrados como entregadores, embora o número real seja superior devido à falta de requisitos de qualificação nas plataformas. Com o cenário urbano da capital, que favorece o tráfego rápido, o risco de acidentes torna-se maior.
Pesquisas mostram que a juventude e a falta de habilitação adequada entre os motociclistas contribuem para o aumento das infrações. A pressão para realizar entregas rápidas leva muitos ao limite, gerando um comportamento imprudente na condução. Carlos Henrique Ribeiro, pesquisador do Ipea, enfatiza que essa relação de trabalho pode ser fatal para muitos jovens, que buscam na entrega uma forma de renda.
A urgência por entregas gera um ciclo vicioso: trabalhadores se veem forçados a acelerar e desrespeitar regras de segurança. Essa é a realidade enfrentada diariamente por Alessandro Santos, outro entregador que menciona o desgaste físico e a preocupação com a segurança. À medida que a discussão sobre regulamentação do trabalho de motofrete avança, a proteção dos entregadores permanece como uma questão urgente para Brasília e o Distrito Federal.
