Disclaimer: eu sou amiga pessoal da Chef Raquel Amaral, que é sócia e idealizadora do Boqueta Bar. Ao mesmo tempo em que isso gera desconfiança quanto a minha imparcialidade, eu sou capaz de afirmar que é justamente por ter acompanhado de perto a trajetória dela que me sinto confortável para avaliar, independentemente dos questionamentos alheios.
Como um dos bares mais jovens da cidade, inaugurado neste ano, visitar o Boqueta – nome que define a passagem por onde a cozinha entrega a comida ao salão – é como entrar no mundinho criativo da carismática Chef Raquel Amaral, a Masterchef que sempre foi “mais coração do que cérebro”.
Para quem acompanha o trabalho dela há tanto tempo quanto eu, foi bem impressionante encontrar uma miríade de inspirações da Chef, que até parecem que não vão conseguir combinar entre si, mas que acabam resultando num cardápio tão original quanto saboroso, que eleva a experiência de boteco para outro patamar.
Eu saí do Boqueta brincando que é um “boteco para adultos”. E por que? Porque tem uma certa idade em que o paladar quer curtir coisas diferentes. Adulto quer botecar, sim, mas quer boas opções de drink, cerveja, sakê, cachaça e até vinhos. Quer comer algo que te deixe alegre e não apenas satisfeito, porque depois de uma certa idade, tempo é luxo. Para ser gasto, tem que valer a pena. E o Boqueta vale. Cada minuto e cada centavo.
Vamos ver se consigo explicar: um pouco de tapas, um pouco de boteco de interior e um pouco de izakaya enrolados numa atmosfera de barzinho carioca. É essa loucura que faz o Boqueta ser o puro suco de Raquel Amaral e conseguir entregar delícias, como o petisco Fala Comigo (R$24,00) de carpaccio de língua bovina defumada, servida com uma refrescante salada de manga verde, limão e coentro. Eu simplesmente amei encontrar uma língua que não seja mais uma ao molho madeira Uncle Ben’s e purê de batata.
O Vinagrete Mar de Brasília (R$35,00), feito com peixe, lula em tentáculos, marisco e camarão em vinagrete cítrico, muito bem temperado, perfeito para dias de seca brasiliense. Aliás, os camarões gigantes aos alho e óleo (R$49,00) são daqueles que fazem a gente ouvir barulho do mar e sentir cheiro de água salgada.
Da estufa quente, sabores inesperados como o do Eisbein Elétrico (R$29,00) com joelho de porco defumado ao teriyaki de tucupi e azeite de jambu acompanhado de chucrute da casa, ou a suntuosidade do Tutano assado lentamente no osso, ao molho demi glace, finalizado com farofa crocante de panko e pó de cogumelos (R$20,00). Eu poderia beber aquele demi glace num shot.
E deixe por conta da Chef Raquel conseguir fazer um rolinho vietnamita ser comida de bar (R$25,00) e uma asa de frango sair completamente do lugar-comum. O Asa Negra é a porção de meio da asa glaceado com shoyu, gengibre e coca-cola e finalizado com cebolinha, gengibre em tiras finas e amendoim (R$35,00). E não consigo descrever a surpresa saborosa que é seu mochi na chapa, bem derretidoc, com molho agridoce. Na verdade, acho que não consigo encontrar as palavras para explicar o tanto que eu comi bem no Boqueta.
A oferta de bebidas é igualmente surpreendente, pois há desde dose de saquê premium a alguns rótulos de vinho, com foco, é claro, no chopp, na cerveja e nos vários drinks, alguns à base de cachaça, uma das especialidades da Chef. Em uma ação promocional, toda vez que o cliente reparar nas bolinhas de sabão saindo do bar, quer dizer que o drink Linha do Equador, de maracujá, pequi, gengibre, cachaça ouro sai pela metade do preço durante 1 hora (R$33,00 preço cheio).
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Enquanto tem restaurante gourmetizando culinária de bar, vem o Boqueta e oferece um boteco que homenageia culturas gastronômicas das mais diversas, onde a sensação é de entrar na casa da Chef Raquel Amaral, para sentar e bater um papo, sendo paparicado por ela através de suas delícias. Visita imperdível.
Serviço
108 Norte, bloco E, loja 68. 16h/23h; 14h/00h (Sex); 12h/00h (sáb.); 16h/21h (dom). Aberto em 2026.














