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Em um texto impactante escrito em 2004, o jornalista Zuenir Ventura explorou as sombras da desigualdade social em Brasília, ao invés de se ater às vistas privilegiadas da cidade. Sua análise, feita na comemoração dos 44 anos da capital, permanece relevante até hoje.

Durante sua visita ao Distrito Federal, Ventura escolheu o bairro da Fercal como ponto de partida para entender a realidade de quem vive longe do esplendor dos cartões postais. Na época, a região ainda apresentava sérios problemas sociais, e o autor não hesitou em relatar a violência policial que ocorria em protestos de desabrigados.

O escritor também se deparou com situações alarmantes, como famílias vivendo em condições críticas no Engenho Velho, onde a precariedade era visível. O relato o levou a questionar a indiferença da elite brasiliense em relação às dificuldades desses moradores, criando um contraste entre duas realidades que coexistem na mesma cidade.

A reflexão de Ventura sobre Brasília, a chamada “ilha da fantasia”, ainda ressoa em um período em que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está nas alturas em algumas áreas, enquanto outras continuam esquecidas. O texto leva a uma pergunta crucial: será que a sociedade brasiliense irá despertar das contradições que a cercam?

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A obra de Zuenir Ventura, inclusive seu livro premiado “Cidade partida”, revela uma sensibilidade única para temas sociais, que ainda são urgentes e solicitam uma atenção especial nesta era de polarização e desigualdade.