Uma pesquisa internacional envolvendo quase 10 mil pessoas trouxe novas evidências sobre os impactos do tabagismo no cérebro. O estudo concluiu que parar de fumar, mesmo na meia-idade, desacelera o declínio cognitivo, especialmente em funções como memória e fluência verbal.

Conduzido por pesquisadores da University College London (UCL) e publicado na revista The Lancet Healthy Longevity, o levantamento acompanhou mais de 9 mil adultos, com idade média de 58 anos, em 12 países, ao longo de seis anos. Os participantes foram submetidos a testes periódicos de cognição, avaliando memória, raciocínio e linguagem.

Os resultados mostraram que ex-fumantes tiveram um ritmo de perda cognitiva significativamente mais lento do que aqueles que continuaram fumando. Em termos práticos, parar de fumar após os 40 anos representou uma redução equivalente a vários meses de declínio por ano de envelhecimento.

O estudo reforça que os efeitos do cigarro vão além dos já conhecidos danos ao sistema respiratório e cardiovascular. O tabagismo acelera o envelhecimento cerebral e aumenta o risco de demência. A interrupção do hábito, mesmo em idade avançada, traz benefícios claros para a preservação da saúde mental.

Especialistas destacam que a cessação do tabagismo deve ser vista como uma estratégia de saúde pública não apenas para reduzir casos de câncer e doenças cardíacas, mas também para proteger a memória e as funções cognitivas da população.

No Brasil, estima-se que mais de 20 milhões de pessoas ainda fumem regularmente. O impacto do tabagismo sobre o sistema de saúde é expressivo, tanto em custos hospitalares quanto em tratamentos de longo prazo. A inclusão da preservação cognitiva como argumento nas campanhas antitabagismo pode ampliar a conscientização e estimular mais pessoas a abandonar o cigarro.

A mensagem do estudo é clara: nunca é tarde para parar de fumar. Mesmo após décadas de hábito, os benefícios são perceptíveis e duradouros. Além de proteger pulmões e coração, abandonar o cigarro significa preservar a mente, retardar o envelhecimento cerebral e reduzir o risco de demência.

Esse resultado deixa ainda mais evidente a necessidade de políticas públicas robustas de apoio à cessação do tabagismo e mostra que cada decisão individual de abandonar o cigarro pode representar anos de qualidade de vida a mais.

Fonte Agência Einstein