Por Alex Leonardo Ribeiro e Gustavo Roccha

Quantas formas de racismo você já cometeu ao longo da vida? Se essa pergunta te assusta, saiba que ao refletir sobre este tema, provavelmente em algum momento de sua trajetória poderá se identificar como sujeito deste ato, que evidencia tão claramente uma sociedade que precisar entender as perspectivas das relações raciais no Brasil. Esta quinta-feira, 21 de março, é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, momento oportuno para uma profunda reflexão individual e, sobretudo, coletiva sobre este tema.

As diversas formas de racismo, como o institucional, o estrutural, recreativo e o individual que alicerçam as desigualdades sociorraciais, geram invisibilidades, ausências de oportunidades e muitas formas de genocídios da população negra.

Abrir espaços para reflexões culturais, educacionais, coletivas, confessionais nos faz entender que essa prática é um dos grandes desafios da sociedade. O reconhecimento, por exemplo, do racismo estrutural engendrado na população como fator que dificulta o acesso de pessoas negras nas diversas políticas públicas e sociais. 

Outro ponto é reconhecer o racismo individual como prática cotidiana, mesmo não intencional, pois, em muitos momentos é construído em forma de “brincadeira”, que é a versão do crime classificada como recreativa. 

O racismo institucional é quando a pessoa negra é violentada por meios institucionais, um ajusto social não explícito. Como exemplos, temos as abordagens policiais mais violentas a essa parcela da população, a desconfiança de seguranças e empresas com uma simples ida ao supermercado, a maior dificuldade de empregabilidade, a pouca representatividade em cargos de poder, entre tantos outros. 

O racismo estrutural, de acordo com Silvério de Almeida, é estrutural e estruturante na sociedade, nas relações sociais, na formação do sujeito. Nesse sentido, indivíduos são constrangidos cotidianamente na própria dinâmica que vivem, de trabalho, casa, ciclo social, religioso, devido à sua raça, isso significa uma série de desvantagens nos âmbitos da economia, política e subjetividade da população negra.

É possível entender mais sobre isso com a leitura de dados estatísticos. A população brasileira é composta por 213.331 milhões de habitantes, destes, 54,7% são autodeclarados negros (pretos ou pardos). Ao longo das últimas três décadas, a renda média da população branca é ao menos duas vezes maior. Em 2020, 76,2% das pessoas assassinadas eram negras, entre outros tantos dados que evidenciam o quão o racismo estrutural penetrou a sociedade brasileira. Fontes Ipea 2021, IBGE 2021

É preciso pensar cotidianamente e coletivamente em projetos que visem a democracia racial, o enfrentamento ao racismo e a prática discriminatória. Somente assim, conseguiremos uma sociedade com igualdade salarial entre negros e brancos, acesso à educação, esporte, lazer, cultura e espiritualidade sem opressão social, acesso a saúde, moradia e saneamento básico com dignidade e respeito a essa população que sofre desde 1500 com a escravização. 

O racismo não coaduna com nenhum projeto de progresso social ou de democracia e a prática racista violenta, fere, invisibiliza, maltrata e mata. 

Autores:

Alex Leonardo Ribeiro, sociólogo, mestre em ciências da saúde, especialista em ciência política e direitos humanos. 

Gustavo Roccha, jornalista.