Em um momento em que a política contemporânea enfrenta crescentes ameaças de autoritarismo, o filósofo e professor da Universidade de São Paulo, Vladimir Safatle, destaca a importância de nomear o fascismo sem medo. Safatle critica a hesitação de muitos intelectuais em classificar certos movimentos da extrema direita como fascistas, argumentando que esse fenômeno não pode ser ignorado.
Em entrevista, o filósofo revela uma visão alarmante sobre como a lógica do fascismo se infiltra nas democracias liberais. Ele ressalta que muitos se sentem confortáveis em sua posição social e ignoram a realidade violenta enfrentada por diversos grupos, enfatizando que a violência típica de regimes fascistas já foi naturalizada em várias democracias.
Safatle observa que o conceito de fascismo deve evoluir e se adaptar às novas realidades sociais. Ele sugere que, em vez de restringir o termo a regimes históricos como o da Itália, é necessário refletir sobre como a violência fascista se manifesta em contextos modernos, especialmente em relação à desigualdade social.
O filósofo também alerta que a distorção da compreensão acerca do fascismo pode levar a uma cumplicidade entre intelectuais, que ao não reconhecerem o fenômeno, perpetuam a opressão histórica e atual. Para ele, é crucial que os partidos e movimentos sociais compreendam essa questão para agir efetivamente e resgatar valores democráticos.
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A discussão sobre o fascismo e suas manifestações será abordada durante o debate “Novos Fascismos Globais”, parte da programação da Feira do Livro em São Paulo, onde Safatle vai aprofundar suas reflexões sobre o tema.
