Os primeiros meses de um endividamento podem parecer inofensivos, mas para muitos brasilienses, os altos juros no cartão de crédito têm provocado crises financeiras intensas. Ana Paula Rodrigues, 39, por exemplo, viu sua fatura de R$ 2 mil triplicar após perder parte de sua renda familiar. “Todo mês pagava algo, mas o valor não diminuía. Cheguei a ficar sem comprar nada em casa”, revela.
A situação vivida por Ana Paula não é única. O Presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (Abradeb), Raimundo Nonato, alerta que a falta de entendimento sobre a evolução da dívida é comum entre os consumidores. Ele recomenda a verificação dos contratos e faturas com atenção redobrada, especialmente ao entrar no crédito rotativo.
Muitos brasileiros desconhecem a composição das cobranças, que podem conter juros e encargos altíssimos. A advogada Tays Cavalcante destaca que o crédito rotativo é uma armadilha, e que o consumidor deve sempre exigir clareza nos detalhes da fatura. “Com juros entre os mais altos do mercado, a falta de conhecimento pode levar a um ciclo financeiro difícil de quebrar”, explica.
Carlos Henrique Mendes, 28, buscou ajuda depois que sua dívida histórica de R$ 3 mil dobrou em um ano. Ao solicitar um detalhamento à instituição financeira, percebeu inconsistências e conseguiu renegociar as condições de pagamento. “Agora, sempre verifico o que estou pagando e busco entender melhor antes de aceitar qualquer valor”, afirmou.
Desde a mudanças na legislação, que estabelecem limites para o crescimento das dívidas, os consumidores têm um pouco mais de proteção. Para dívidas contraídas a partir de janeiro de 2024, os encargos não podem ultrapassar o valor original da dívida. Entretanto, muitos ainda não conhecem esses direitos, o que reforça a importância da informação no combate ao endividamento.
Para os brasilienses que estão enfrentando dificuldades, especialistas recomendam não ignorar as faturas. Pedir um detalhamento, procurar ajuda especializada e negociar têm se mostrado caminhos eficazes para evitar que a situação saia do controle e proporcionar alívio financeiro.

