As celebrações juninas, tão tradicionais no Brasil, trazem consigo um aumento expressivo nos acidentes com queimaduras. Fogueiras, fogos de artifício e até bebidas quentes se tornam riscos nesta época do ano, como reforça a campanha Junho Laranja. O cirurgião plástico José Adorno, coordenador do Serviço de Queimaduras e Cirurgia Plástica do Hospital Santa Lúcia Sul e representante da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), explica que o período entre maio e setembro concentra maior incidência de casos, especialmente em estados onde as festas juninas são mais intensas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 180 mil pessoas morrem por queimaduras todos os anos no mundo. No Brasil, estima-se que ocorram aproximadamente 70 mil internações anuais na rede pública. Além das queimaduras, os fogos de artifício podem causar traumas graves, como amputações e lesões oculares, o que reforça a necessidade de regulamentação mais rigorosa.

Os especialistas alertam também para os mitos nos primeiros socorros. Pasta de dente, manteiga, óleo ou clara de ovo não devem ser aplicados sobre a pele queimada. O correto é resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 20 minutos, proteger com pano limpo ou curativo estéril e procurar atendimento médico, especialmente em casos extensos ou em regiões sensíveis como mãos, pés, face e genitais.

O risco de infecção é outro desafio. A perda da barreira cutânea expõe o organismo e exige cuidados rigorosos com curativos, ambiente esterilizado e monitoramento constante. O enfermeiro Antonio Barros, coordenador do Centro Cirúrgico do Hospital Santa Lúcia Sul, destaca que o controle da dor e a prevenção de infecções são pontos críticos no tratamento.

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A reabilitação, por sua vez, demanda abordagem multidisciplinar. Técnicas modernas como enxertos biológicos, membrana amniótica, curativos especiais e até oxigenoterapia hiperbárica são utilizadas para acelerar a cicatrização e reduzir sequelas. O Hospital Santa Lúcia é referência no Centro-Oeste, sendo o único hospital privado do DF com linha completa de tratamento para grandes queimados.

O impacto sobre crianças merece atenção especial: elas representam entre 30% e 50% das vítimas graves no país. A pele mais fina e a menor capacidade de autoproteção tornam os acidentes ainda mais perigosos, exigindo protocolos diferenciados e suporte psicossocial.

As festas juninas são momentos de alegria e tradição, mas também exigem responsabilidade. A prevenção, o atendimento inicial correto e a reabilitação adequada são fundamentais para reduzir os riscos e preservar vidas.