O câncer gástrico, uma das doenças mais traiçoeiras da atualidade, afeta de 20 a 25 mil pessoas anualmente no Brasil, e esse número deve mais que dobrar até 2050. Reconhecido por sua ausência de sintomas nos estágios iniciais, o câncer de estômago continua caindo na ‘armadilha do silêncio’ e, por isso, exige atenção especial, especialmente entre os mais velhos.
Graças à infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que pode ser adquirida na infância, a inflamação silenciosa do estômago pode evoluir para situações mais graves. Segundo especialistas, cerca de 1% dos infectados desenvolverá câncer gástrico por volta dos 60 anos. Contudo, a maioria permanece desinformada sobre sua condição até que seja tarde demais.
A ineficiência do diagnóstico precoce é um desafio crucial, uma vez que a infecção pela H. pylori não apresenta sintomas aparentes. Em muitos casos, a endoscopia — o exame que pode detectar a infecção — é ignorada como uma opção por falta de orientação adequada. Métodos menos invasivos, como o teste respiratório, já estão disponíveis, mas muitos ainda não têm acesso.
Campanhas de conscientização têm sido estruturadas para alertar a população sobre a importância de rastreios para familiares de portadores da doença. A Federação Brasileira de Gastroenterologia destaca a necessidade de um programa que aconselhe a realização de testes não invasivos antes dos 30 anos, especialmente para aqueles com histórico familiar.
Além disso, mudanças nos hábitos alimentares e na qualidade de vida, que envolvem a redução do consumo de sal e a cessação do tabagismo, têm mostrado um impacto positivo na diminuição dos riscos associados. Campanhas como o Setembro Rubi têm se mostrado cruciais para aumentar a conscientização sobre o câncer gástrico e as formas de detecção precoce.
A promoção de eventos como o 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa, que ocorrerá em São Paulo, é uma ótima oportunidade de reflexão e aprendizado sobre as implicações do câncer gástrico a longo prazo e a importância do diagnóstico e tratamento adequado.



