Nova Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do pneumococo e começa a ser destinada a mais de 2,3 milhões de brasileiros; esquema depende do histórico vacinal
O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a oferta da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, para pessoas com 85 anos ou mais. A estratégia busca aumentar a proteção de uma das parcelas mais vulneráveis da população contra formas graves da doença pneumocócica, que pode provocar pneumonia, meningite e outras complicações.
A estimativa do Ministério da Saúde é de que 2.337.775 brasileiros façam parte desse público-alvo. A meta é vacinar pelo menos 90% da população elegível. A distribuição das doses aos estados começou em setembro e a disponibilidade efetiva pode variar entre municípios conforme o recebimento dos imunizantes.
Para receber a vacina, não é necessária prescrição médica. É preciso apresentar documento que comprove a idade. O Ministério da Saúde também orienta que os serviços aproveitem a oportunidade para verificar e atualizar outras vacinas previstas para a população idosa.
Quem deve tomar a Pneumo 20?
Apesar de a nova estratégia contemplar pessoas a partir dos 85 anos, a indicação da VPC20 depende das vacinas pneumocócicas recebidas anteriormente.
Quem nunca tomou vacina pneumocócica deve receber uma dose da Pneumo 20. Quem recebeu somente uma dose da Pneumo 13 ou Pneumo 15 também poderá receber uma dose da VPC20, respeitando intervalo mínimo de dois meses. Para quem recebeu apenas uma dose da Pneumo 23, o intervalo mínimo é de um ano.
Já pessoas que receberam duas doses da Pneumo 23 não têm indicação da VPC20 nesta estratégia. O mesmo vale para quem já recebeu uma dose da Pneumo 13 ou 15 combinada a uma dose da Pneumo 23.
A vacina poderá ser oferecida nas unidades de saúde e também por estratégias extramuros ou vacinação domiciliar. A orientação federal é priorizar a busca ativa de idosos com dificuldade de acesso aos serviços, restrição de mobilidade, fragilidade, comorbidades, dependência funcional ou pouco suporte familiar e social.
Por que os mais idosos foram priorizados?
Com o avanço da idade, o sistema imunológico passa por alterações naturais conhecidas como imunossenescência, que podem reduzir a capacidade de resposta do organismo às infecções. A presença mais frequente de doenças crônicas também contribui para aumentar o risco de complicações.
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Dados divulgados pelo Ministério da Saúde ajudam a dimensionar esse impacto. Entre pessoas idosas com 80 anos ou mais, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as causas chegou a 3.097,7 internações por 100 mil habitantes em 2024 e ficou em 2.902,7 por 100 mil em 2025.
Na população com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e 743,1 por 100 mil em 2025.
A doença pneumocócica é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. Além de pneumonia, a infecção pode estar relacionada a quadros como meningite e outras manifestações invasivas. A VPC20 amplia a cobertura para 20 sorotipos da bactéria.
Vacina chegou ao SUS em 2026
A Pneumo 20 foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em junho de 2026 para crianças menores de 5 anos. O SUS também estabeleceu sua utilização em estratégias especiais para pessoas com determinadas condições clínicas. A inclusão dos brasileiros com 85 anos ou mais representa uma nova etapa da ampliação do imunizante no país.
Para pessoas entre 60 e 84 anos, a VPC20 continua disponível dentro das estratégias especiais já estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações para determinados públicos, como pessoas acamadas ou institucionalizadas e aquelas com condições clínicas específicas. O Ministério da Saúde informa que a expansão para outras faixas etárias deverá ocorrer gradualmente, considerando vulnerabilidade, risco e disponibilidade.
Como o envio das doses ocorre progressivamente, a orientação é procurar a unidade de saúde do município para confirmar a disponibilidade antes de se deslocar.


