Novembro no Tauá Alexânia — 2026
LIDERE 2025 - Confira as Imagens

Pesquisa publicada na revista JAMA Internal Medicine indica que o tempo sem comer tem pouca influência sobre muitos exames de rotina, mas aponta diferenças importantes em indicadores como glicose e triglicerídeos. Especialistas recomendam não abandonar o preparo sem orientação profissional.

Acordar cedo, enfrentar a fome e esperar horas para fazer um exame de sangue faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Durante décadas, a recomendação de permanecer oito ou até 12 horas sem comer se tornou uma prática comum antes de diversas análises laboratoriais.

Mas será que todo esse tempo de jejum é realmente necessário?

Uma pesquisa publicada em 28 de setembro de 2026 na revista científica JAMA Internal Medicine reacendeu essa discussão ao analisar quase 10 milhões de resultados laboratoriais e investigar como diferentes períodos sem alimentação influenciam exames de rotina.

Nicolândia - Mês das CriançasPublicidade

De acordo com os dados apresentados, o estudo reuniu 9.755.547 resultados de 101.148 pacientes adultos, abrangendo 121 indicadores laboratoriais.

Os pesquisadores observaram que, para a maioria dos exames avaliados, as diferenças associadas ao tempo de jejum foram pequenas e sem relevância clínica significativa.

O resultado sugere que a exigência de longos períodos sem alimentação pode não ser necessária para todos os exames, embora determinadas análises continuem exigindo cuidados específicos.

Isso não significa, entretanto, que o jejum tenha sido abolido ou que os pacientes possam ignorar as orientações de seus médicos e laboratórios.

O que os pesquisadores analisaram?

O estudo comparou resultados laboratoriais de adultos submetidos a diferentes períodos de jejum antes da coleta de sangue.

Publicidade

Os participantes foram agrupados em três faixas:

  • Menos de oito horas de jejum;
  • Entre oito e 12 horas de jejum;
  • Mais de 12 horas de jejum.

A análise considerou 121 indicadores utilizados em exames laboratoriais, permitindo observar quais apresentavam maior sensibilidade ao intervalo entre a última refeição e a coleta.

Um dos principais objetivos foi verificar se as diferenças estatísticas encontradas eram suficientemente grandes para produzir consequências relevantes na interpretação clínica.

Essa distinção é importante: uma alteração pode ser identificada em uma análise estatística sem necessariamente modificar um diagnóstico ou uma decisão de tratamento.

Quais exames sofreram pouca influência do jejum?

Segundo os resultados apresentados, diversos exames de rotina mostraram diferenças pequenas entre os períodos avaliados.

Entre os indicadores menos afetados estavam os relacionados ao hemograma, à função renal, aos eletrólitos e à maior parte das enzimas hepáticas.

O hemograma, por exemplo, é utilizado para avaliar componentes do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas.

Já os exames de função renal auxiliam na investigação do funcionamento dos rins, enquanto os eletrólitos permitem avaliar substâncias importantes para o equilíbrio do organismo.

A baixa influência do jejum observada nesses indicadores reforça a possibilidade de que determinados exames possam ser realizados com preparos mais flexíveis.

Entretanto, isso não elimina outras exigências laboratoriais, como horários específicos, uso de medicamentos ou orientações relacionadas à condição clínica do paciente.

Glicose, triglicerídeos e lipase exigem atenção

Embora a maioria dos indicadores tenha apresentado pequenas variações, alguns exames demonstraram diferenças consideradas clinicamente relevantes.

Entre eles estavam a glicose, os triglicerídeos, a gama-glutamiltransferase (GGT) e a lipase.

Nas comparações apresentadas, períodos inferiores a oito horas de jejum foram associados a valores mais elevados de determinados indicadores.

Os resultados incluíram:

IndicadorDiferença relatada em jejum inferior a 8 horas
GlicoseAté 10,8% mais alta
TriglicerídeosAté 20,1% mais elevados
LipaseAté 36,4% maior

Esses percentuais representam diferenças observadas nas comparações do estudo e não significam que todos os pacientes apresentarão exatamente essas variações.

Também não devem ser utilizados para corrigir resultados individualmente por meio de cálculos simples.

A interpretação depende de fatores como alimentação recente, metabolismo, medicamentos, doenças preexistentes e finalidade do exame.

Por que a glicose pode mudar depois de comer?

A glicose é uma das principais fontes de energia do organismo.

Após uma refeição, especialmente quando há consumo de carboidratos, parte dos nutrientes é transformada em glicose e absorvida pela corrente sanguínea.

O organismo responde a esse aumento por meio de mecanismos hormonais, incluindo a liberação de insulina.

Por isso, a glicemia pode apresentar diferenças importantes dependendo do momento em que o sangue é coletado.

É fundamental distinguir a glicemia de jejum de outros exames utilizados para avaliar o metabolismo da glicose.

A hemoglobina glicada, por exemplo, reflete a exposição à glicose ao longo de um período mais prolongado e, em geral, não exige jejum para sua realização.

Quando o médico solicita especificamente uma glicemia de jejum, o preparo indicado continua sendo parte essencial da interpretação do resultado.

Triglicerídeos também podem variar com a alimentação

Os triglicerídeos são um tipo de gordura presente no sangue.

Seus níveis podem sofrer influência da alimentação recente, especialmente da composição e da quantidade de gordura e energia consumidas.

Por esse motivo, os resultados obtidos em jejum e sem jejum podem apresentar diferenças.

Atualmente, exames de perfil lipídico podem ser realizados sem jejum em diversas situações, conforme as recomendações aplicáveis e a avaliação clínica.

Entretanto, determinados resultados, especialmente quando os triglicerídeos estão muito elevados, podem exigir nova coleta em condições específicas.

A decisão deve considerar a finalidade do exame e a orientação do profissional responsável.

Ficar mais de 12 horas sem comer melhora os resultados?

Um dos achados mais relevantes da pesquisa diz respeito à comparação entre o jejum de oito a 12 horas e períodos superiores a 12 horas.

Segundo os dados apresentados, prolongar o jejum além de 12 horas não trouxe vantagens clinicamente significativas para os indicadores analisados, em comparação com a faixa de oito a 12 horas.

Isso coloca em discussão a ideia de que permanecer mais tempo sem comer necessariamente produz exames mais confiáveis.

O jejum prolongado também pode provocar desconforto, fraqueza e dificuldades para determinados pacientes, especialmente pessoas que utilizam medicamentos capazes de reduzir a glicose no sangue.

Assim, quando o jejum é necessário, respeitar o período recomendado costuma ser mais adequado do que prolongá-lo por iniciativa própria.

O estudo muda as recomendações dos laboratórios?

Não automaticamente.

Uma pesquisa científica pode fornecer evidências para revisar protocolos, mas mudanças nas orientações clínicas dependem da avaliação do conjunto de estudos disponíveis, das características dos pacientes e da finalidade de cada exame.

Além disso, o trabalho analisou associações entre o tempo de jejum e resultados laboratoriais.

Esses achados não significam que todas as diferenças observadas tenham sido provocadas exclusivamente pela alimentação, nem que os mesmos resultados se apliquem a qualquer população.

Outros estudos podem ser necessários para avaliar como protocolos mais flexíveis influenciam diagnósticos, decisões médicas e resultados de saúde.

A recomendação continua sendo seguir o preparo informado pelo laboratório e pelo profissional que solicitou os exames.

E quem tem diabetes ou toma medicamentos?

Pessoas com diabetes precisam de atenção especial às orientações de jejum.

Dependendo do tratamento utilizado, permanecer muitas horas sem comer pode aumentar o risco de hipoglicemia, caracterizada pela redução excessiva da glicose no sangue.

O risco é particularmente relevante para pessoas que utilizam insulina ou determinados medicamentos antidiabéticos.

Nesses casos, o preparo deve ser individualizado.

O paciente não deve suspender medicamentos, modificar doses ou prolongar o jejum por conta própria.

Gestantes, crianças, idosos e pessoas com determinadas condições clínicas também podem precisar de orientações específicas.

O que fazer antes de realizar exames de sangue no Distrito Federal?

Para pacientes que realizam exames na rede pública ou privada do Distrito Federal, a principal orientação é verificar antecipadamente o preparo exigido para cada análise.

Na rede pública, as informações podem ser obtidas na unidade de saúde responsável pela solicitação ou pelo agendamento.

Nos laboratórios particulares, o paciente deve consultar as instruções fornecidas no momento da marcação.

Se a solicitação incluir vários exames, o preparo pode ser determinado por aquele que exige condições mais específicas.

Também é importante informar ao profissional responsável se o período de jejum recomendado não foi cumprido.

Essa informação pode ajudar na interpretação dos resultados e na decisão sobre a necessidade de uma nova coleta.

A ciência pode tornar os exames mais simples

A pesquisa publicada na JAMA Internal Medicine contribui para um debate importante: como reduzir exigências desnecessárias sem comprometer a qualidade dos exames laboratoriais.

Para milhões de pacientes, orientações mais flexíveis poderiam facilitar o acesso aos serviços de saúde, reduzir desconfortos e tornar a rotina de coleta mais prática.

Mas a simplificação dos procedimentos precisa estar acompanhada de segurança e critérios científicos.

O principal recado não é que ninguém mais precise fazer jejum, mas que o tempo sem alimentação deve ser adequado ao exame solicitado e à situação clínica de cada pessoa.

Antes de alterar qualquer preparo, converse com seu médico ou laboratório.

Afinal, um exame confiável não depende apenas da coleta de sangue, mas também das condições em que ela é realizada e da interpretação correta dos resultados.