O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que a equipe econômica do governo está monitorando de perto o impacto do fim da chamada “taxa das blusinhas”. O aumento nas encomendas internacionais motivou o governo a considerar a possibilidade de propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o retorno da taxação que incide sobre compras abaixo de US$ 50.
Em entrevista à “Rádio Jornal”, Durigan destacou que a revogação da taxa em maio foi um experimento para avaliar os reflexos na economia nacional. A avaliação preliminar indica um aumento significativo nas importações desses produtos, o que levanta questionamentos sobre a equidade para os produtores locais.
A antiga taxação, que cobrava 20% de imposto de importação, era alvo de críticas por encarecer produtos acessíveis aos brasileiros e por dar vantagem a turistas que não precisavam recolher tributos em compras de determinada cota. A revogação, por sua vez, foi consolidada por meio de uma Medida Provisória que, após 120 dias, precisa passar pelo Congresso Nacional para se tornar permanente.
Entidades do varejo, como o Instituto para Desenvolvimento do Varejo, já se manifestaram sobre o aumento nas vendas online de plataformas internacionais. Eles alertam que isso pode impactar negativamente as vendas no varejo tradicional, afetando empregabilidade e investimentos futuros.
Representantes do setor tecnológico também expressaram preocupação, ressaltando que o aumento nas importações deve ser analisado com cautela. Embora a isenção tenha sido considerada um avanço na democratização do consumo, é fundamental garantir que as regras tributárias sejam justas para todos os agentes econômicos.
Com a movimentação de produtores e importadores no Congresso e possíveis ações judiciais, a discussão sobre a taxa das blusinhas promete ser um tema de destaque nas próximas semanas, envolvendo tanto a dinâmica do comércio quanto a política tributária do país.
