O advogado Willer Tomaz, sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de ligação com lavagem de dinheiro, possui outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, além da que está no centro de uma disputa judicial com o jogador de futebol Richarlison. O caso ganhou destaque ao revelar a ligação entre Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também investigado no mesmo inquérito.
Quatro das cinco propriedades foram adquiridas entre 2021 e 2022, período em que Flávio Bolsonaro propôs ao Senado projetos de lei que visam permitir a municipalização das unidades de conservação em Angra dos Reis e a privatização das ilhas marítimas do país. Essas propostas, ainda em tramitação, levantam debates sobre flexibilização das regras de preservação ambiental para estimular atividades econômicas, sobretudo no setor turístico.
Entre as propriedades de Tomaz, destaca-se a localizada na Ilha Comprida, que se tornou objeto da controvérsia com Richarlison. O jogador alega ocupar a casa desde 2020, tendo investido cerca de R$ 10 milhões através de sua empresa, a Sport 70. No entanto, processos administrativos mostram que a regularização da posse por parte da empresa ligada a Tomaz avançou mais rapidamente na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão responsável pela gestão das ilhas, causando questionamentos sobre a celeridade e transparência das decisões.
Além da controvérsia com Richarlison, Tomaz detém imóveis em outras ilhas, como a Ilha do José André, onde planejava construir um resort de luxo dentro da Área de Proteção Ambiental de Tamoios. A intenção de ampliar áreas construídas no local coincidiu com um decreto do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que revogava planos de manejo ambiental, medida que posteriormente foi revertida após decisão judicial.
No cenário político, Flávio Bolsonaro segue como relator da PEC das Praias, propondo mudanças que permitiriam a privatização de ilhas e terrenos de marinha atualmente pertencentes à União. A SPU manifestou-se contrária a essa proposta, alertando para o risco de favorecer a grilagem de áreas costeiras em benefício de pessoas mais abastadas.
Enquanto isso, investigações continuam no STF sobre as relações entre o senador e o advogado, inclusive com pedidos para que as disputas sobre as propriedades em Angra sejam analisadas no âmbito desse inquérito. Willer Tomaz, que residiu nos Estados Unidos após operação da Polícia Federal, afirma não ter negócios em conjunto com Flávio Bolsonaro, embora reconheça amizade com ele.



