Com as eleições de meio de mandato se aproximando nos Estados Unidos, a importância da inteligência artificial na propaganda eleitoral se torna cada vez mais evidente. A prática conhecida como “slopaganda”—uma fusão de propaganda política com conteúdos gerados por IA de baixa qualidade—está movimentando recursos significativos, superando a marca de US$ 137 milhões até o momento.
Esse novo fenômeno não é exclusivo de um único partido. Tanto republicanos quanto democratas estão utilizando a IA, embora a maior parte do investimento venha de candidatos vinculados ao Partido Republicano. Anúncios controversos foram produzidos, envolvendo elementos alarmantes e irônicos, como o de um candidato democrata associado a mensagens chocantes.
Um estudo do Wesleyan Media Project identificou 220 anúncios políticos que aplicam tecnologia de IA. A análise revelou que mais de 81% desses anúncios foram financiados por republicanos, enquanto apenas 12% vieram de democratas, ilustrando uma tendência preocupante na manipulação da informação política.
Outro dado alarmante é que apenas 27% dos anúncios informam que foram produzidos com o auxílio de IA. Isso levanta questões sobre a transparência e a possibilidade de manipulação das percepções eleitorais. A ausência de uma regulamentação federal nos EUA sobre a utilização de inteligência artificial na publicidade eleitoral oferece um terreno fértil para práticas potencialmente enganosas.
Pesquisadores e políticos, como o senador Jon Ossoff, expressam suas preocupações. Ossoff chamou a atenção para um vídeo produzido por IA que não identificava seu uso, afirmando que é um “caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político”.
A crescente aceitação e utilização das ferramentas de IA nas campanhas eleitorais também refletem uma mudança significativa na forma como os candidatos se comunicam com os eleitores, levantando o debate sobre a ética e a responsabilidade na era digital.



