A influenciadora digital Apoline, que é trans, gerou repercussão ao criticar a deputada Erika Hilton (PSOL/SP) por assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Em suas declarações, Apoline afirmou que Hilton ocupou um papel que “não é dela” e argumentou que mulheres trans nunca vão sentir o que mulheres cis sentem.
Apoline destacou a importância de que pautas voltadas especificamente para mulheres trans sejam representadas por quem vive essa realidade. Ela citou, como exemplo, a situação de muitas mulheres trans que enfrentam a prostituição como meio de sobrevivência e que, segundo ela, necessitam de políticas públicas específicas para garantir dignidade e oportunidades.
O posicionamento da influenciadora reacende debates sobre representatividade, identidade de gênero e legitimidade política dentro dos espaços institucionais. Enquanto Erika Hilton é reconhecida como a primeira mulher trans a presidir a Comissão, o episódio evidencia tensões internas sobre quem deve conduzir pautas relacionadas às mulheres e como incluir as diferentes vivências femininas no Legislativo.
Análise: O caso expõe um dilema recorrente na política brasileira: como equilibrar a representatividade de mulheres cis e trans em espaços de poder. De um lado, há o avanço histórico da presença trans em cargos de liderança; de outro, surgem questionamentos sobre a necessidade de vozes diversas para contemplar realidades distintas.
Esse embate mostra que a pauta de gênero no Congresso não é homogênea e que a construção de políticas inclusivas exige diálogo entre diferentes perspectivas femininas.
