Substância é apresentada como recurso de desempenho em novos produtos, como sachês e vapes. A OMS alerta para anúncios voltados a jovens e o perigo de dependência. Reportagem especial para o Dia Mundial Sem Tabaco.
A nicotina, tradicionalmente associada ao cigarro, vem sendo reembalada em novos produtos como sachês, gomas e vapes, muitas vezes divulgados como ferramentas para melhorar foco e produtividade. Essa tendência preocupa especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta para o risco de dependência e para estratégias de marketing direcionadas a jovens.
Por que a nicotina dá sensação de foco
- A substância estimula a liberação de dopamina e acetilcolina, neurotransmissores ligados à atenção e ao prazer.
- O efeito é rápido, mas temporário, levando à necessidade de uso repetido.
- A sensação de melhora cognitiva mascara o risco de dependência química.
Principais riscos
- Dependência: a nicotina é altamente viciante, e o uso frequente leva à tolerância e necessidade de doses maiores.
- Impacto cardiovascular: aumenta pressão arterial e frequência cardíaca.
- Prejuízo cognitivo a longo prazo: apesar da sensação inicial de foco, o uso crônico pode comprometer memória e atenção.
- Exposição precoce: jovens são alvo de campanhas que associam nicotina a desempenho, aumentando risco de iniciação e dependência.
OMS e Dia Mundial Sem Tabaco
No Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, a OMS reforça que a nicotina, mesmo fora do cigarro tradicional, continua sendo uma ameaça à saúde pública. A entidade alerta para a necessidade de regulamentar novos produtos e combater estratégias de marketing que exploram a busca por desempenho e foco.
Impacto emocional e social
A promessa de produtividade imediata pode seduzir estudantes e profissionais sob pressão, mas o preço é alto: dependência, ansiedade e risco de doenças crônicas. Para muitos jovens, o uso de sachês e vapes representa não apenas uma escolha de estilo de vida, mas também uma porta de entrada para a dependência química.
Publicidade
A nicotina não é uma ferramenta de desempenho, mas uma substância que rouba saúde em troca de uma sensação temporária de foco. O desafio atual é reconhecer que, mesmo em novas formas, ela continua sendo um risco silencioso, especialmente para os jovens. Informação clara e políticas públicas são essenciais para evitar que a busca por produtividade se transforme em dependência.
