A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2026 presta homenagem à talentosa poeta Orides Fontela, revelando que sua grandeza literária já era percebida em seus primeiros poemas escritos na adolescência, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Os versos dessa época são marcados pela concisão e rigor de linguagem, características que se tornariam referências em sua obra.
Um dos primeiros poemas, Elegia, publicado no jornal O Município em 1965, chamou a atenção do crítico Davi Arrigucci Jr., que incentivou Orides a reunir seus escritos em um livro e se mudar para a capital. Desde os primórdios da carreira, a poetisa recebeu apoio de figuras renomadas, como o crítico Antonio Candido e a filósofa Marilena Chaui, que reconheceram sua singularidade e profundidade.
Crisitina Yamazaki, editora da Hedra, afirma que desde seu primeiro livro Orides se estabeleceu como uma grande poeta, mesmo antes de alcançar o reconhecimento do grande público. Sua poesia, de densidade filosófica, é reconhecida por críticos, que muitas vezes descrevem seu estilo como ‘parcimoniosa opulência’ — ela consegue expressar significados profundos com poucas palavras.
Orides também foi uma inovadora na linguagem, buscando sempre o âmago das palavras, onde o silêncio e a precisão têm papéis essenciais. Sua formação em filosofia influenciou suas criações, refletindo-se em poemas que exploram conceitos complexos. A poetisa não se baseava em experiências pessoais, mas sim em uma leitura poética da realidade.
Durante a Flip, três lançamentos de obras inéditas e reedições de suas publicações estarão em destaque. Serão apresentados um livro ilustrado para jovens, uma coletânea de escritos críticos e uma biografia atualizada. Orides deixou um legado de cinco livros de poesia, com destaque para Alba, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. Todo o material da nova edição é fruto de uma cuidadosa pesquisa que busca trazer à tona a essência de sua obra.
O reconhecimento da obra de Orides Fontela é ainda mais pertinente diante das dificuldades que enfrentou como mulher e poeta em um contexto preconceituoso. Sua homenagem na Flip transcende a literatura, servindo como um tributo à força de sua poesia em um cenário que por tantas vezes marginalizou vozes femininas. A Flip 2026 promete trazer à tona a riqueza e a sensibilidade das palavras de Orides, convidando o público a redescobrir sua importante contribuição à literatura brasileira.
