Terapia experimental desenvolvida para cada tumor reduziu o risco de recorrência e metástase em estudos anteriores e agora avança após resultado positivo de fase 3

Uma nova estratégia de tratamento contra o câncer pode ampliar as possibilidades da medicina personalizada. Uma terapia experimental baseada em mRNA, desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD, apresentou resultados positivos no estudo de fase 3 INTerpath-001, realizado com pacientes com melanoma de alto risco.

O tratamento, chamado intismeran autogene (mRNA-4157/V940), é desenvolvido de maneira individualizada a partir das características genéticas do tumor de cada paciente. A proposta é identificar mutações presentes nas células cancerígenas e utilizar essas informações para orientar uma resposta do sistema imunológico contra características específicas daquele câncer.

No estudo de fase 3, a terapia foi administrada em combinação com pembrolizumabe (Keytruda), uma imunoterapia já utilizada no tratamento do melanoma. A combinação apresentou melhora clinicamente relevante em comparação ao pembrolizumabe isoladamente em pacientes com melanoma nos estágios IIB a IV que tiveram o tumor completamente removido.

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Como funciona a terapia personalizada

Diferentemente de um tratamento desenvolvido para atingir características comuns a determinado tipo de câncer, a proposta do intismeran é considerar o “perfil” específico do tumor de cada paciente.

As mutações presentes nas células cancerígenas podem gerar proteínas diferentes das encontradas em células saudáveis. Essas alterações, chamadas de neoantígenos, podem funcionar como uma espécie de assinatura do tumor.

A partir do sequenciamento do tumor, são selecionados alvos específicos para a formulação individualizada. O objetivo é fazer com que as células de defesa reconheçam essas características e desenvolvam uma resposta direcionada às células cancerígenas.

Resultados anteriores já apontavam potencial

Antes do resultado da fase 3, dados do estudo de fase 2b já haviam indicado benefícios importantes da combinação.

Após três anos de acompanhamento, o tratamento com mRNA-4157/V940 associado ao pembrolizumabe apresentou redução de 49% no risco de recorrência ou morte e 62% no risco de metástase à distância ou morte, em comparação ao pembrolizumabe sozinho.

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Os resultados de fase 3 representam, portanto, um passo importante para avaliar se essa estratégia individualizada pode se tornar uma nova alternativa para pacientes com melanoma de alto risco após a remoção do tumor.

Apesar dos resultados positivos, o intismeran autogene ainda é uma terapia experimental. A Moderna informa que os estudos continuam em acompanhamento para avaliar outros desfechos importantes, incluindo a sobrevida global, enquanto a empresa e a MSD discutem os dados com autoridades regulatórias.

Em outras palavras: a ideia não é criar uma única “vacina contra o câncer”, mas desenvolver uma terapia de mRNA adaptada às características de cada tumor, buscando ensinar o sistema imunológico a reconhecer aquela assinatura específica.

Por Rodrigo Brito

- Sommelier Diploma pela International Sommelier Guild - Bourgogne Master pela Wine Scholar Guild - Sommelier Internacional Certificado pela Federazione Italiana Sommelier Albergatori Ristoratori (F.I.S.A.R.)