Seguindo a tendência nacional de mostrar que ingredientes locais fazem e melhoram receitas das mais sofisticadas, o Gurumê se arrisca e introduz o tucupi em novos pratos. Será que funcionou?
O Gurumê já conquistou muitos brasilienses, com seu ambiente descolado, serviço atencioso e um cardápio que transita com elegância entre o tradicional e o inovador da cozinha japonesa. Dessa vez, a inovação veio através da introdução de elementos da culinária nortista e amazônica, com destaque para o Tucupi.
Feito a partir da manipueira (sumo) da mandioca-brava, que, depois de espremida, gera uma massa, que descansa para separar a goma do líquido que fermenta. Depois, é cozido com temperos como chicória, alfavaca e alho, gerando um sabor único.
Olha, o chef Renato Araújo me surpreendeu. A apresentação e o sabor dos pratos estão impecáveis.
De entrada, foi oferecido um Crudo de Vieiras canadenses (R$79,00), que são as melhores, com sunomono de rabanete e pêra asiática ao molho à base de tucupi e mix de azeites de romã e cariru. Apesar do nome, o corte da vieira estava mais para o carpaccio, o que não diminui em nada a sutileza e sabor dessa entrada suntuosa.
Um dos meus favoritos, também para beliscar, foi o Dumpling de Camarão (R$49,00), preparado no vapor, temperado com tucupi oriental, mostarda e brotos, finalizado com molho ponzu e chili oil. Delicioso!
O mesmo valeu para a Hand Salad (R$75,00), que apresenta tempura de camarão em flocos de tapioca com mix de salada de repolho roxo, branco, cenoura e cebola acompanhada de alface romana e molho gochujang e maionese temperada da casa. Nossa, tudo saboroso separadamente e ainda mais gostoso quando juntamos tudo numa folha de alface para fazer a trouxinha.





Para os principais, o Ramen Gurumê (R$75,00), feito com massa fresca em caldo de tucupi amarela e negro com shoyu, camarão e lula grelhados, ovo perfeito, alga nori, cebola roxa, cebolinha e pimenta sriracha, estava bem gostoso, mas preferi o Noodles Gurumê (R$79,00), que leva carne de porco Berkshire desfiado marinado no shoyu e gengibre com cenoura, repolho roxo, cebolinha, shitake e cebola roxa, ao molho de tucupi oriental (base de melaço de tucupi, tucupi negro e gochujang). Muito punch!
De sobremesa, o duo de Choux Cream agradou bastante, devido à massa crocante, recheada com ganache de Cupuaçu e chocolate branco e Ganache chocolate meio amargo servido com creme inglês com Puxuri, finalizada com frutas vermelhas. Tava gostoso, mas não é uma combinação que me conquista, no geral. Coisa minha mesmo.
Os drinks oscilaram um pouco, mas no geral, gosto do trabalho do mixologista Anderson Alves que toca o projeto social Mixtura, que é uma incubadora de jovens talentos da coquetelaria e, claro, do complexo do Vidigal, no Rio de Janeiro, que funciona por uma parceria do Gurumê com o Instituto da Criança, Favela Inc. e Brota Vidigal e cujo propósito é democratizar o acesso dos jovens da região não só à coquetelaria, mas ao mercado de trabalho de uma forma geral.
Ainda assim, gostei de algumas das propostas novas e reitero as antigas: Tayo (45,00) com licor de abacaxi e Frangelico e Nagi (39,00) com vodka e maracujá.
Serviço
SAIS Park Shopping, praça de alimentação gourmet, 2º andar.
