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Enquanto atacarejos avançam pela capital, mercadinhos de bairro em áreas como Sol Nascente e Estrutural seguem sustentando a rotina de moradores do Distrito Federal. No balcão, a venda rápida de itens básicos divide espaço com uma relação de confiança que ainda mantém vivo o comércio miúdo.

No Trecho 3 do Sol Nascente, Maria Doralice, 46 anos, toca um minimercado instalado no mesmo lote da casa onde vive com a família. A loja abre cedo, atende vizinhos que passam a pé ou de ônibus e virou ponto de apoio para compras do dia a dia, especialmente em uma região onde o supermercado mais próximo fica a quilômetros de distância.

O funcionamento do negócio depende de idas semanais aos atacarejos da capital em busca do melhor preço, já que não há contratos fixos com fornecedores. No pequeno espaço, ela organiza produtos básicos, bebidas, itens de higiene e até encomendas de pão, sempre com a lógica de atender o que a comunidade pede. O fiado, anotado em caderno, ainda faz parte da rotina, com regras claras para evitar prejuízos.

Na Chácara Santa Luzia, na Estrutural, Alcine Nazaré, 37 anos, e o marido, Tialen Silva, 36, também apostam no comércio de proximidade. Eles administram uma distribuidora e o mercadinho Brasilar, formalizado como microempreendimento há dois anos, com reposição direta de mercadorias e controle rigoroso para não acumular perdas. Mesmo assim, enfrentam dificuldades com margens apertadas e mercadorias que vencem antes de girar.

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As duas histórias mostram como os mercadinhos seguem importantes em regiões onde a compra diária pesa mais do que o abastecimento em grandes redes. Além do preço, o que segura a clientela é a facilidade de acesso, o atendimento personalizado e a confiança construída no contato de vizinhança — fatores que ajudam esses pequenos negócios a resistir à erosão do tempo no Distrito Federal.