Com a frase provocativa “O melhor da vida é descer a ladeira”, o filósofo e psicólogo japonês Ichiro Kishimi inicia seu livro “A coragem de envelhecer”. A obra explora a aceitação dos efeitos da passagem do tempo e propõe uma nova perspectiva sobre o envelhecimento.
Kishimi, seguidor da filosofia de Alfred Adler, levanta questionamentos importantes sobre o verdadeiro valor da juventude. Em suas terapias, ele se depara com a constatação de que muitos preferem a sabedoria e a experiência adquiridas ao longo da vida a retornar à adolescência. Isso revela que a felicidade não está exclusivamente na juventude, mas na maturidade e na capacidade de produzir significado em cada fase da vida.
O autor propõe que, em vez de se compararem a terceiros, os indivíduos devem focar em sua própria evolução. Essa mudança de mentalidade é essencial para deixar de lado a pressão pela produtividade, comum nas dinâmicas de trabalho, e abraçar um estilo de vida mais autêntico e gratificante, especialmente à medida que envelhecemos.
Kishimi também compartilha suas experiências pessoais, incluindo a luta contra um grave problema de saúde. Ele reflete sobre como enfrentar a morte e a fragilidade da vida pode ser uma oportunidade de reavaliação e de valorização das relações humanas. Essa etapa de sua vida o levou a tornar-se cuidador de seu pai, destacando a importância de um relacionamento respeitoso e compreensivo com os mais velhos.
O filósofo enfatiza que a comunicação genuína com os pais e idosos pode enriquecer a convivência. Ao tratá-los como se fosse o primeiro encontro, é possível ouvir com mais atenção e respeito. Além disso, a coragem de reconhecer nossas limitações e a humildade de não ter todas as respostas são fundamentais para uma convivência saudável e valorizada.
Essas lições práticas podem impactar a forma como abordamos nossas próprias vidas e a de nossos familiares, promovendo uma cultura de aceitação e respeito pelo passar do tempo, essencial para o bem-estar coletivo e individual.



