Um levantamento recente revelou que quatorze candidatos nas eleições de 2026 concentram mais de R$ 100 milhões em multas ambientais, sendo majoritariamente aplicadas pelo Ibama e pelo ICMBio nos últimos dez anos. Esses candidatos variam de postulantes a cargos de deputado estadual e federal até senadores e governadores, todos com pelo menos R$ 1 milhão em autuações individuais.
As multas estão ligadas principalmente a infrações como destruição de vegetação nativa e desmatamento, com destaque para o Pará, onde sete candidatos estão associados a autuações nas regiões de Altamira e São Félix do Xingu, áreas críticas da Amazônia. É importante notar que, apesar da gravidade das multas, a legislação eleitoral brasileira não considera essa penalização como um fator que torne os candidatos inelegíveis.
Entre os mais multados, Daniel Messac, candidato a deputado estadual em Goiás, se destaca com R$ 60,7 milhões em infrações. Sua multa mais alta, de R$ 50 milhões, refere-se à destruição de mais de 5 mil hectares de floresta amazônica. Ramirez esta situação judicialmente contestada e, portanto, a cobrança da multa está suspensa.
Outro caso relevante é Romero Jatobá, candidato por Pernambuco, que acumula R$ 17,5 milhões em multas por desmatamento, enquanto José Lopes Junior, do Acre, possui 12 autuações, totalizando R$ 8,2 milhões. Esses dados se tornaram relevantes na avaliação pública sobre as candidaturas, especialmente em um contexto de crescente preocupação ambiental.
A coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil sugere que a trajetória ambiental dos candidatos deve ser um critério considerado pelos eleitores. A análise cuidadosa do histórico socioambiental dos postulantes pode influenciar a decisão de voto, particularmente em um cenário onde o controle ambiental e as legislações estão sob pressão.


