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Relatório do Energy Summit e MIT Technology Review Brasil em conjunto com a Deloitte analisa mais de 60 macrotendências e identifica oportunidades para o Brasil em data centers, armazenamento, minerais críticos, novos combustíveis e tecnologias de fronteira
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06/11/2026 – Rio de Janeiro

Publicado no dia 28/10, o relatório 10 Energy Megatrends 2026 levantou as principais tendências e tecnologias que irão impactar para o setor de energia até 2050, cada uma delas em diversos estágios de desenvolvimento. 

Compõem o estudo a integração entre diferentes tecnologias, a otimização de recursos disponíveis e a necessária escalada industrial do Brasil para o desenvolvimento de áreas estratégicas.

Data Centers, Flexibilidade e Armazenamento

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No curto prazo, uma das projeções destacadas pelo estudo é o crescimento do consumo elétrico dos data centers, que poderá superar 950 TWh em 2030, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). 

O avanço do segmento coloca o fornecimento de energia segura como um dos fatores determinantes para a expansão da economia digital, já que ela é fundamental para a operação destes empreendimentos. 

Por outro lado, data centers são uma ferramenta crucial para sistemas de inteligência artificial e seu avanço, os mesmo que têm grande contribuição para uma gestão eficiente de recursos elétricos, permitindo a previsão de falhas e melhorias operacionais.

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No entanto, os debates em torno de data centers, abrem espaços para outros temas, também de grande relevância, como segurança energética, com o aprimoramento de sistemas de armazenamento de energia, e flexibilidade, a versatilidade em utilizar diferentes fontes de energia quando necessário.

Segundo relatório, a capacidade de armazenar, distribuir e gerenciar eletricidade conforme as necessidades do sistema passa a ter valor estratégico, exigindo modelos regulatórios e de remuneração adequados.

Minerais críticos e eletromobilidade entram nas previsões

Outras áreas que também estão inter-relacionadas são os minerais críticos e os carros elétricos, incluindo baterias e outras tecnologias avançadas. Parte dos componentes de equipamentos vêm de minerais, como lítio, terras raras, nióbio, níquel, entre outros, os recursos que se encontram em abundância no Brasil. 

Só referente às terras raras, por exemplo, o país é o 2º colocado no ranking mundial, detendo 23% de reservas. O relatório aponta que a principal oportunidade brasileira dentro do mercado está em dominar o processamento, o refino e a fabricação de produtos de maior valor agregado já que o país ainda se encontra apenas como um fornecedor de  matérias-primas. 

Já quanto ao mercado de veículos elétricos e híbridos, especificamente, o estudo aponta que se fazem necessários investimentos no segmento de recarga, avanços na integração de rede elétrica e novos modelos de abastecimento, bem como a combinação entre eletrificação e biocombustíveis para reduzir as emissões no transporte.

Tais possibilidades têm prazos de desenvolvimento que variam entre o curto e o médio prazo.

O apoio da robótica no óleo e gás

Como apontado pelo estudo, o uso de robôs submarinos, sensores inteligentes, sistemas autônomos e gêmeos digitais ampliam as possibilidades de automação das operações offshore (alto-mar). 

Vale destacar que essas tecnologias já se encontram em vigor no país, com diversos objetivos, como, por exemplo, alcançar pontos de difícil acesso humano. Para a análise, a experiência e pioneirismo brasileiro em águas ultraprofundas, especialmente no pré-sal, pode favorecer um maior desenvolvimento desse setor e a aplicação dessas tecnologias.

Bioeconomia: O potencial da natureza, dos resíduos, biocombustíveis e combustíveis sintéticos 

A natureza brasileira também foi incluída como uma potência  para o mercado de energia. Conhecido pelo seu vasto potencial natural, o país sai na frente, como o detendor da maior extensão de florestas tropicais do mundo.

Diante disso, medidas voltadas à conservação, restauração florestal, manejo sustentável e tecnologias de monitoramento ambiental podem impulsionar novos modelos econômicos desde que se criem mecanismos de rastreabilidade, integridade ambiental e financiamento capazes de transformar o potencial natural em projetos economicamente viáveis.

Ainda tratando da bioeconomia, a grande disponibilidade de biomassa (resíduos diversos, como bagaço, por exemplo) e a experiência do setor sucroenergético (que utiliza álcool, cana)  posicionam o Brasil como um potencial protagonista de biorrefinarias e combustíveis renováveis. Alguns deles sendo o combustível sustentável de aviação (SAF), biometano, diesel verde (HVO) e etanol de segunda geração. Estes recursos alternativos ganham espaço em atividades nas quais a eletrificação direta enfrenta limitações. 

Quanto aos combustíveis sintéticos e ao hidrogênio verde, a utilização de excedentes de energia renovável para produção menos poluente de amônia e metanol, propicia maior facilitação e adesão à comercialização destes produtos. Nesse quesito, a infraestrutura portuária e a disponibilidade de energia renovável, uma das principais vantagens brasileiras, podem favorecer o desenvolvimento dessa cadeia no Brasil.

Energia nuclear e geração solar no espaço

Há ainda, projetos mais ousados a serem desenvolvidos no longo prazo, como a fusão nuclear e a geração solar no espaço. A fusão, por exemplo, consiste  na combinação de um ou mais núcleos atômicos e é considerada uma tecnologia de ruptura devido ao seu potencial energético, superior ao petróleo na ordem de milhões.

A fusão por confinamento magnético, um mecanismo que utiliza campos magnéticos para reter combustíveis em estado de plasma, ainda inalcançável, busca abrir uma nova fronteira para a geração de energia firme e de baixa emissão. No entanto, como explicado pelo próprio estudo, “apesar dos avanços científicos, sua aplicação comercial em larga escala ainda depende da superação de desafios tecnológicos e econômicos.”

Já a geração solar em órbita e o desenvolvimento de microrreatores orbitais representam possibilidades ainda experimentais de produção e fornecimento de energia. O relatório aponta que a infraestrutura espacial e a capacidade científica brasileira podem criar oportunidades de participação nessas tecnologias de longo prazo.

Para Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit, essas transformações mostram que o setor está entrando em uma nova fase, marcada pela integração entre diferentes soluções energéticas. 

“O que estamos vendo agora é diferente. A demanda por energia vai crescer junto com a inteligência artificial, a eletrificação, a digitalização e a reindustrialização. Isso exige adicionar soluções, combinar tecnologias e construir um sistema muito mais flexível, integrado e resiliente”, comenta.

O relatório conclui que a próxima fase do setor energético será marcada não apenas pelo desenvolvimento de novas tecnologias, mas pela capacidade de integrá-las ao sistema existente. Nesse cenário, as decisões tomadas nos próximos anos poderão influenciar o posicionamento competitivo de empresas e países nas décadas seguintes.

Para baixar o estudo completo, acesse o link: https://lp.energysummit.global/10-energy-megatrends-2026