Preço médio nacional chegou a R$ 4,10 na última semana; em Brasília, combustível ficou estável em R$ 4,41, enquanto gasolina comum foi encontrada a R$ 6,67 na média
O motorista brasileiro voltou a encontrar o etanol mais caro nos postos.
O preço médio nacional do combustível chegou a R$ 4,10 por litro na semana de 20 a 26 de setembro, segundo o mais recente Levantamento de Preços de Combustíveis da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na comparação com a semana anterior, quando a média era de R$ 4,08, houve uma alta de 0,49%. A ANP confirma que a pesquisa referente ao período de 20 a 26 de setembro já está disponível em sua base oficial de preços.
No Distrito Federal, o movimento foi diferente.
O valor médio permaneceu estável em R$ 4,41 por litro.
Isso significa que quem abastece com etanol no DF está pagando, em média, R$ 0,31 a mais por litro do que a média nacional — uma diferença de aproximadamente 7,6%.
Apesar disso, o biocombustível continua aparecendo como uma alternativa competitiva em relação à gasolina para muitos veículos flex.
Preço subiu em metade do país
A alta não aconteceu da mesma maneira em todas as regiões.
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Na semana analisada, o preço médio do etanol:
subiu em 13 estados;
caiu em 10;
permaneceu estável em dois estados e no Distrito Federal.
No Amapá, onde a média chegou a R$ 5,81, não houve comparação semanal porque não havia cotação correspondente na pesquisa anterior.
Entre os estados com aumento, Santa Catarina registrou a maior alta percentual, de 2,55%, levando o litro para R$ 4,43.
Na direção oposta, o Amazonas apresentou a maior queda, de 2,84%, com média de R$ 5,13 por litro.
Ou seja: falar apenas em uma “alta nacional” esconde diferenças relevantes entre as regiões.
São Paulo continua com o menor preço médio
São Paulo, maior estado produtor e consumidor de etanol do país, continuou apresentando o menor valor médio estadual.
O litro foi encontrado a R$ 3,81, embora tenha subido 1,06% em relação à semana anterior.
O menor preço individual localizado pela pesquisa da ANP também estava em São Paulo:
R$ 3,09 por litro.
Na outra ponta, o maior preço encontrado em um posto chegou a R$ 6,59, em Pernambuco.
Já considerando a média de cada unidade da Federação, o maior valor foi registrado no Amapá, a R$ 5,81.
A diferença mostra por que o preço visto pelo consumidor pode variar tanto de uma cidade para outra — e até entre postos relativamente próximos.
No DF, etanol custa R$ 4,41
No Distrito Federal, a média ficou em R$ 4,41 por litro, sem variação em relação à semana anterior.
Já a gasolina comum custou aproximadamente R$ 6,67 por litro no período de 20 a 26 de setembro.
Ao comparar os dois valores, o etanol corresponde a cerca de 66,1% do preço da gasolina.
Esse percentual coloca o Distrito Federal entre as unidades da Federação em que o biocombustível permanece competitivo segundo a chamada regra dos 70%.
Afinal, vale mais a pena abastecer com etanol?
Para carros flex, existe uma conta bastante conhecida.
Divida o preço do etanol pelo preço da gasolina.
No DF:
R$ 4,41 ÷ R$ 6,67 = aproximadamente 0,661
Ou:
66,1%.
Pela referência tradicional utilizada no mercado, quando o resultado fica abaixo de 70%, o etanol tende a ser economicamente vantajoso porque, embora o carro normalmente consuma mais combustível com álcool, o preço menor consegue compensar essa diferença.
Na semana atual, a própria comparação baseada nos números da ANP coloca o DF abaixo desse limite.
Mas existe uma ressalva importante.
A regra dos 70% não funciona igual para todos os carros
Os 70% são uma referência.
Não uma lei física.
Existem veículos que apresentam diferença menor de consumo entre gasolina e etanol. Nesses casos, o álcool pode compensar mesmo acima dos 70%.
Em outros modelos, a diferença de eficiência é maior.
A melhor conta é comparar o consumo real do próprio carro.
Um motorista que consegue fazer, por exemplo:
10 km/l com etanol
e
13 km/l com gasolina
deve comparar o custo por quilômetro rodado — e não apenas o preço mostrado na bomba.
Há ainda fatores como trânsito, uso de ar-condicionado, percurso urbano ou rodoviário, peso transportado e modo de condução.
Por isso, o consumo registrado pelo próprio motorista ao longo de alguns tanques costuma ser uma referência melhor do que uma regra genérica.
Etanol está competitivo em 11 estados e no DF
Considerando o critério dos 70%, o etanol foi apontado como competitivo em relação à gasolina em 11 estados e no Distrito Federal na última pesquisa.
A relação entre o preço do etanol e o da gasolina ficou em:
São Paulo — 59,91%
Mato Grosso — 60,26%
Mato Grosso do Sul — 60,78%
Paraná — 63,09%
Goiás — 65,62%
Distrito Federal — 66,12%
Acre — 66,67%
Minas Gerais — 66,77%
Bahia — 67,41%
Santa Catarina — 67,79%
Rondônia — 68,33%
Pará — 68,45%.
Na média nacional, o etanol correspondeu a 62,6% do preço da gasolina, também abaixo do referencial de 70%.
Portanto, mesmo com a alta para R$ 4,10, o biocombustível continua apresentando vantagem potencial em boa parte do mercado brasileiro.
Quanto custa encher um tanque no DF?
Considerando apenas a média de R$ 4,41, um abastecimento de 50 litros de etanol no Distrito Federal custaria aproximadamente:
R$ 220,50.
Com a gasolina comum a R$ 6,67, colocar os mesmos 50 litros custaria:
R$ 333,50.
A diferença no momento do pagamento seria de:
R$ 113.
Mas isso não significa uma economia automática de R$ 113.
O motorista percorrerá uma distância diferente com os dois combustíveis, justamente porque o rendimento do etanol por litro costuma ser menor.
É por isso que a comparação por consumo continua essencial.
Por que o preço do etanol varia tanto?
O valor pago na bomba é resultado de uma cadeia que envolve produção, distribuição, transporte, tributação e margem dos postos.
Há também uma característica importante do próprio setor.
O etanol combustível brasileiro está diretamente ligado à produção agrícola, principalmente à cana-de-açúcar, e pode sofrer influência das condições de safra, disponibilidade do produto e períodos de entressafra.
Custos logísticos também pesam.
Estados próximos às principais regiões produtoras tendem a ter vantagens que não necessariamente chegam com a mesma intensidade a mercados mais distantes.
Concorrência entre postos e condições regionais de oferta e demanda acrescentam novas diferenças.
Por isso, a variação entre São Paulo, com média de R$ 3,81, e Amapá, com R$ 5,81, chega a R$ 2 por litro nesta pesquisa.
Uma diferença pequena por litro pode virar muito no fim do mês
Comparar preços continua sendo uma das ferramentas mais simples à disposição do consumidor.
Uma diferença de R$ 0,20 por litro, por exemplo, representa R$ 10 em um tanque de 50 litros.
Para quem abastece quatro vezes por mês:
R$ 40.
Em um ano:
R$ 480.
Quando a diferença entre postos chega a R$ 0,30 ou R$ 0,40, o impacto aumenta.
Por isso, principalmente para quem roda diariamente, vale observar preços em diferentes regiões e não abastecer automaticamente sempre no mesmo estabelecimento.
ANP passou a oferecer ferramenta para consultar postos
Desde julho, a ANP disponibiliza o ANP com VC — Postos, ferramenta que permite consultar estabelecimentos autorizados pela agência e informações relacionadas à fiscalização e à qualidade dos combustíveis.
O usuário pode pesquisar postos próximos ou buscar estabelecimentos por cidade ou CNPJ. A plataforma também permite consultar resultados de ações de fiscalização dos últimos cinco anos e encaminhar denúncias de irregularidades.
A ferramenta acrescenta uma camada importante à comparação.
Preço é relevante.
Mas procedência e qualidade do combustível também precisam entrar na escolha.
Consumidor deve conferir preço na bomba
A ANP determina que o posto exiba de maneira clara os preços dos combustíveis.
O valor mostrado no painel de entrada deve corresponder ao preço cobrado na bomba, consideradas as condições de pagamento anunciadas pelo estabelecimento.
Se houver preços diferentes para dinheiro, cartão ou aplicativos, isso também precisa ser informado de forma clara ao consumidor.
A orientação é conferir o visor antes do abastecimento e observar se o preço praticado corresponde ao anunciado.
O que os números mostram nesta semana
O quadro nacional é de pequena alta.
O litro do etanol passou de R$ 4,08 para R$ 4,10.
A variação percentual, de 0,49%, pode parecer discreta, mas mantém uma tendência que merece acompanhamento principalmente para quem depende do carro diariamente.
No Distrito Federal, entretanto, o preço permaneceu em R$ 4,41.
É mais caro que a média brasileira.
Mas, diante da gasolina comum a aproximadamente R$ 6,67, o etanol continua dentro da faixa considerada economicamente competitiva para veículos flex.
Portanto, a pergunta no posto não é apenas:
“O etanol subiu?”
Subiu.
A pergunta mais útil para quem dirige um carro flex é:
“Mesmo nesse preço, ele ainda compensa no meu carro?”
No Distrito Federal, pela referência tradicional dos 70%, a resposta nesta semana é sim.
Para saber quanto a economia realmente representa, porém, cada motorista precisa conhecer o consumo do próprio veículo.
Os números da semana
Etanol — média Brasil: R$ 4,10/litro
Variação semanal: +0,49%
Etanol — Distrito Federal: R$ 4,41/litro
Gasolina comum — Distrito Federal: R$ 6,67/litro
Relação etanol/gasolina no DF: 66,12%
Menor média estadual do etanol: São Paulo — R$ 3,81
Maior média estadual: Amapá — R$ 5,81
Menor preço encontrado em posto: R$ 3,09 — São Paulo
Maior preço encontrado: R$ 6,59 — Pernambuco.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — Levantamento de Preços de Combustíveis, semana de 20 a 26 de setembro de 2026.


